01/04/2013 16:43

Pastoral do Menor de Sorocaba

Projeto social realizado pelo AFR José Roberto Rosa

Há mais de dez anos, a Pastoral do Menor de Sorocaba realiza projetos na periferia da cidade com o objetivo de auxiliar crianças e adolescentes que estão em situação de risco e colocá-los em um ambiente seguro nos horários em que não estão na escola. O trabalho é realizado em conjunto por duas entidades, o Centro Social São José e a Associação Bom Pastor, que contam com quase cem monitores e atendem mais de 2 mil crianças e adolescentes. A lista de espera é extensa.

O AFR José Roberto Rosa, fundador do projeto e coordenador-geral das entidades, trabalhou, entre 1996 e 2002, como voluntário na parte estratégica da luta pelos direitos das crianças. Depois de um tempo envolvido em discussões sobre o Estatuto da Criança e participando de fóruns e de Conselhos de Direito, resolveu, por conta própria, colocar em prática o atendimento direto aos que precisavam. “Não indico como ideal o nosso método, mas devido à urgência das necessidades que encontramos, começamos o projeto, mesmo sem planejamento ou estrutura adequados”, explicou José Rosa.

A proposta inicial do projeto era atender apenas crianças com idades entre 6 e 12 anos e, durante dois anos, foi isso que aconteceu. Mas, depois, percebeu-se a necessidade de separar os grupos por idade, por causa da grande demanda. Jovens de até 18 anos começaram a mostrar interesse em participar.

José Rosa conta que o primeiro projeto foi montado com 3 mil reais e, logo em seguida, foi feito um convênio com a Prefeitura de Sorocaba, que existe até hoje, mas que é ainda insuficiente para arcar com todos os gastos. Para aumentar a renda, a Pastoral conta com cerca de cem colaboradores mensalistas que doam uma quantia fixa. Os colegas AFRs são a maioria desses colaboradores.

Também existe o “Incentivo do Imposto de Renda”, que, segundo Rosa, é fundamental para manter o projeto. “Eu não teria chegado a esse número se não fosse o ‘Incentivo do IR’”, enfatizou. Previsto por Lei, o “Incentivo do IR” é o repasse do imposto depositado no fundo da criança e do adolescente que em seguida é transferido para a conta da entidade beneficiada. O colaborador pode destinar 6% do valor para projetos até o último dia útil do ano. Atualmente, o “Incentivo do IR” garante a realização de 40% dos projetos.

Não existe um requisito de desempenho escolar para a criança entrar no projeto. Segundo José Rosa, “se tiver um pré-requisito, como a criança ter notas boas na escola, existirão pouquíssimas pessoas aptas”. Mas é preciso frequentar a escola. Além disso, o uso de drogas é proibido. Mas se a criança ou adolescente usa droga, o projeto ajuda na reabilitação.


Conheça os projetos

O trabalho realizado pela Pastoral do Menor é dividido em projetos que atendem jovens de diferentes bairros de Sorocaba. As reuniões são feitas em locais cedidos por igrejas, pela Prefeitura ou em salas alugadas. Quase não existem voluntários no projeto, todos os que trabalham ganham salário. “É muita gente, muito trabalho, voluntário não aguenta”, explicou o colega.

E, segundo José Rosa, “os projetos funcionam como um rito de passagem. Os atendidos vão passando de um por um conforme sua idade”. Dos 20 pontos de atendimento mantidos pela Pastoral do Menor, seis abrigam todos os projetos. Os demais são focados nos mais velhos.

Duas supervisoras gerais dos projetos fazem parte da Pastoral desde o começo: Denise Cristina Magrine de Souza, responsável pelos projetos Querubim, Molecada e Desafio Jovem, e Maria Lourdes Paula Silva, responsável pelo projeto Jovem Cidadão e Projeto 1° Chance.

Também são realizadas passeatas e campanhas como a que aconteceu no dia 13 de março de 2013, em que os atendidos, de todas as faixas etárias, percorreram seus bairros para alertar os moradores contra a dengue. As crianças e adolescentes entregaram panfletos e confeccionaram cartazes. Também foi criada uma peça de teatro com o mesmo foco para ser apresentada nas escolas públicas da cidade.  Sorocaba está passando por um surto de dengue este ano.

Em cada CEC (Centro Educacional Comunitário) existe uma coordenadora geral responsável por supervisionar todas as crianças e monitores do local. Como Clarissa, coordenadora do Bairro Habiteto, que é responsável por mais de 500 atendidos por dia – esse é o bairro com o maior número de crianças e adolescentes.

É possível encontrar jovens que eram atendidos na Pastoral e que hoje fazem parte da equipe de monitores. Ao todo são 20 ex-atendidos que trabalham nos CECs. Como a Fernanda, de 24 anos e que desde os 12 participa da pastoral. “Quando eu tinha 17 anos surgiu uma vaga para ser monitora, aí eu dei meu currículo para o Rosa e consegui o emprego”. Hoje em dia ela é auxiliar de coordenação do Bairro Habiteto.

A Paula é outro exemplo de atendida que hoje trabalha com o grupo também no Habiteto. “Sou monitora de molecada 2. Cada mês escolhemos um tema para ser estudado”.

Além do atendimento diário com atividades realizadas pelos monitores, existem os coordenadores de esportes que percorrem todos os CECs, passando atividades físicas para os atendidos. Aulas de capoeira e música também fazem parte da grade.

Roberto de Marco Sampaio é o orientador profissional dos projetos há sete anos e três meses. “Faço uma atividade diferenciada, seleciono os educadores para os projetos, capto empresas, parcerias, palestras e cursos para serem oferecidos aos atendidos. Também faço um link entre a pastoral e o mercado”, enfatiza.

Ele explica que os cursos e as parcerias com instituições como SENAC e SENAI são de grande importância, pois auxiliam na formação do jovem e abrem as portas para um futuro emprego, além de integrar os participantes na sociedade.

Ana Cristina Gomes, monitora do Projeto Jovem do Bairro Aeroporto, está na Pastoral desde 2003 e conta que entrou no projeto por insistência de uma vizinha. “Na época eu tinha perdido uma filha e estava com depressão. Uma vizinha me chamou para conhecer o projeto e não sai mais”. Ela explica que no começo era difícil, até pela rixa que existia entre os bairros. “Eram vários bairros juntos e existia rivalidade, mas com o tempo isso parou”.

Sobre sua entrada no projeto, ela diz que perdeu uma criança para Deus e ganhou várias de coração. “O projeto é tudo para mim, a Pastoral é amor, é carinho. O sorriso de um jovem é tudo.”

Como funcionam os projetos:
Projeto Querubim: Atende crianças de 5 a 7 anos, de segunda a sexta-feira, no período em que a criança não está na escola, para diversas atividades, englobando apoio e reforço escolar, noções de cidadania e sociedade, incentivo e conscientização sobre os cuidados com a comunidade, prevenção às drogas e à marginalidade. Além de atividades esportivas e alimentação (almoço ou lanche). 

Projeto Molecada: Atende crianças de 8 a 12 anos, no período em que a criança não está na escola, para diversas atividades como apoio e reforço escolar, noções de cidadania e sociedade, incentivo e conscientização sobre os cuidados com a comunidade, prevenção às drogas e à marginalidade. Além de atividades esportivas e alimentação (almoço ou lanche). 

Projeto Desafio Jovem: Atende adolescentes de 13 a 15 anos, no período em que o adolescente não está na escola, para atividades como apoio e reforço escolar, noções de cidadania e sociedade, incentivo e conscientização sobre os cuidados com a comunidade, prevenção às drogas e à marginalidade, esclarecimento de questões relacionadas à faixa-etária. Nesta etapa do projeto existe o preparo do jovem para a inserção de atividades comunitárias como mutirões de limpeza, campanhas de saúde, campanhas de cidadania, noções de profissionalização e resgate da autoestima. Além de atividades esportivas e alimentação (almoço ou lanche). 

Projeto Jovem Cidadão: Jovens com idade entre 16 e 17 anos que frequentam atividades de reforço escolar, noções de cidadania, orientação vocacional, cursos profissionalizantes, apoio para estruturação de projeto de vida, prevenção à marginalidade, à dependência química e à gravidez precoce, aliado às atividades comunitárias no bairro onde vivem. O jovem que participa deste projeto recebe uma ajuda de custo de R$ 40,00 por mês.

Projeto 1° Chance: A Pastoral do Menor, em parceria com a Secretaria da Juventude, tem o objetivo de inserir os jovens da comunidade carente no mercado de trabalho. Três vezes por semana eles participam de cursos profissionalizantes, uma vez eles participam do trabalho em campo e recebem uma bolsa auxílio de R$ 90,00.

Projeto escolinha de futebol: Para todos os atendidos. São treinos de futebol realizados duas vezes por semana e disputas de amistosos e campeonatos aos finais de semana.

Projeto Reconstruindo Famílias: Quando é detectado um problema que vai além da criança, os monitores vão até a família para trabalhar em conjunto. Neste projeto, a equipe da Pastoral realiza trabalhos para alavancar a autoestima de cada membro da família, descobre as habilidades e potencialidades de cada um, intervém terapeuticamente nos conflitos familiares, realiza possíveis encaminhamentos a serviços sociais, ajuda a garantir o mínimo para uma alimentação digna, incentiva a geração de renda, providencia a regulamentação de documentos, prepara para o mercado de trabalho. O trabalho é feito através de visitas ao domicilio e em reuniões de grupo.

Projeto Geração Solidária: É um trabalho de incentivo à geração de renda, economia popular, profissionalização de pessoas carentes. Trabalhos como reciclagem, manufatura de sabão, produtos de limpeza, roupas de cama e até curso de artesanato são oferecidos.

Projeto Girassol: Um Convênio com a Fundação CASA (ex-Febem), mantido pelo governo. Neste projeto, os adolescentes estão sujeitos a uma medida sócio-educativa de liberdade assistida, aplicada pelo judiciário. Os coordenadores da Pastoral têm a missão de ajudar a inserir esses jovens no mercado de trabalho ou na escola.

Projeto “Casa Dom Luciano”: Também é um convênio com a Fundação CASA (ex-Febem) e mantido pelo governo. São atendidos jovens em regime de internação. O papel da Pastoral é auxiliar o adolescente, juntamente com a família e a comunidade, para a reintegração à sociedade, inclusive no aspecto educacional e profissional. 


 “Onde a Jurupoca Pia” – O Livro

José Roberto Rosa, em parceria com a jornalista Maria Lívia Malzoni, escreveu um livro para mostrar como funciona o trabalho que desenvolve. É uma abordagem das situações práticas vividas por ele e por outros envolvidos nos projetos, com reflexões vindas das crianças e adolescentes atendidos, estendendo-se para suas famílias. A jornalista foi responsável por colher os depoimentos. De acordo com Rosa, “não existe intenção de venda, mas de utilização no treinamento de funcionários e agentes”.

Outras obras do AFR: 
 “ICMS na Prática” (Foi a primeira obra do colega e está esgotada há algum tempo), “Curso Básico de ICMS", “Substituição Tributária no ICMS”, “Guia Prático de ICMS”, “Exercícios Práticos de ICMS, ITCMD, IPVA e PAT”, esse em parceria com o colega Fernando Moraes Sallaberry. *O lucro das obras é revertido para o projeto.  


Ajude você também!

Conta: Centro Social São José

Banco: Santander
Agência: 0566
Conta-corrente: 13-001644-6
Um boleto mensal é enviado aos que querem colaborar.
Contato: pastoraldomenor@terra.com.br
Telefone: (15) 3212-1965 – Falar com Adriana ou Sara


Conheça o AFR José Roberto Rosa

O AFR José Roberto Rosa nasceu em Pariquera-Açú-SP, no Vale do Ribeira, em 1954, e, na infância viveu em Juquiá, Tatuí e Sorocaba. Após trabalhar na Secretaria Estadual de Relações do Trabalho, em Bragança Paulista, ingressou na fiscalização em 1983, na Inspetoria de Itu. Ali atuou na fiscalização direta até 1988, quando passou à chefia do Posto Fiscal. No ano de 1990, veio para a Escola Fazendária, FAZESP, onde está até hoje. A partir de 1998, passou a atuar também no Tribunal de Impostos e Taxas.

Começou a atuar como voluntário na causa da criança e adolescente em 1996 e iniciou a Pastoral do Menor em Sorocaba, em 2002. É o coordenador geral do programa que atende mais de 2.500 crianças, adolescentes e familiares em situação de risco social.


O AFR José Rosa e sua esposa